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Sobre uma quinta-feira comum

Era uma quinta-feira normal, daquelas em que se espera que passe rápido na espera pelo fim de semana logo ali. Foi então que ela abriu uma das redes sociais e se deparou com a notícia crua e seca: morte de um ator aos 54 anos. Morreu afogado, depois de mergulhar em um rio. Assim. Direto. Cru. Sem rodeios. Em um instante ele estava vivo, tinha almoçado com colegas de trabalho, ia apenas se refrescar um pouco e não escapou do encontro com a Dona Morte. Ela estava embaixo d’água, esperando para abraçá-lo e levá-lo consigo. Acabou.

A morte é surreal, foi o que ela pensou ao ler a notícia. Sentiu seu coração pesar. Como era possível que em um instante fossemos repletos de sonhos, vontades, futuro e de repente desaparecemos? Era pesado. Inquietante.

Posou o celular na cama e se permitiu preencher de angústia. Daquelas pesadas e inevitáveis. A mesma angústia que nos invade quando sabemos de um acidente de carro que vitimou uma família. A mesma angústia presente quando um choque em uma tomada de casa mata uma criança que estava por ali apenas descobrindo o mundo. A angústia do “não fui eu, mas poderia”. É uma sensação de medo disfarçado de compaixão. Ao mesmo tempo em que entristece, alivia. “Dessa vez não fui eu”, mas um dia, será.

Os minutos se passaram naquela melancolia insistente. Era a verdade do quão tênue é a linha que nos separa da Dona Morte. Ela na verdade está sempre presente, sempre se mostrando, nos provando que basta um segundo para que ela nos dê o seu abraço.

Deitada em sua cama, fitando o teto, ela queria respostas. Queria compreender. Como lidar com o impensável? Como lidar com a notícia que nos surpreende? Que nos aproxima como humanos que somos, despejando em nós o medo mais primitivo que temos: deixar de existir.

Não era fã do ator, conhecia bem pouco seu trabalho, mas o que a aproximava dele era o fato de que assim como ela, era humano. E a morte tinha aquele poder, conectar pessoas de todo o mundo, pessoas diferentes, com vidas diferentes e uma certeza em comum. Todos um dia seriam levados, deixariam de existir, se tornariam lágrimas nos rosto daqueles que os amavam, passariam a ser saudade presente no coração daqueles que ficaram.


E foi nesse instante que a vida pareceu ressurgir dentro dela. Sentiu seu coração bater, ritmo constante, sangue circulando, pensamentos existindo, estava viva! Era aquilo que podia consolá-la, dessa vez não tinha sido ela e mesmo que um dia inevitavelmente fosse, ela ainda podia viver. Então se levantou da cama, colocou uma música para tocar, murmurou palavras para que Deus consolasse a família daquele ator e continuou sua vida naquela quinta-feira comum, pensando que enquanto estivesse viva, precisava realmente viver.



Fê Jhones

3 comentários:

  1. Ameiiii o texto e me identifiquei com a mesma reação sobre essa notícia tão triste, que Deus conforte os familiares.

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  2. Estava com tantas saudades das crônicas da Fê, obrigada pelas palavras que fecharam esse dia triste com tanta sensibilidade.

    Beijos.

    Giu

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  3. Também me identifiquei bastante com o texto. Eu sabia muito pouco sobre esse ator, mas quando soube que ele havia falecido, e as circunstâncias como tudo aconteceu, fiquei muito triste, e refleti bastante sobre a fragilidade da vida humana. Agora estamos aqui, mas não sabemos como será o nosso amanhã, não sabemos nem mesmo se estaremos vivos daqui a dois minutos. A vida é muito imprevisível.
    Adorei o modo como a Fê finalizou a crônica. Foi o desfecho perfeito. Enquanto estamos vivos, realmente precisamos viver, e viver da melhor forma possível.

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