[MARATONA DOS CLÁSSICOS] - Falando sobre Madame Bovary

Olá, meus amore se amoras! 

Voltei! E estou aqui com uma missão especial: falar de clássicos! Isso mesmo, nessa minha nova coluna vocês verão os mais variados clássicos da literatura, seja nacional ou internacional. O objetivo não é apenas fazer uma resenha, mas trazer curiosidades e aproximar a literatura clássica, muitas vezes tão esquecida, de vocês, queridos leitores e leitoras!
E como vamos começar? Com um clássico francês muito famoso e que tem várias edições em diversos países: MADAME BOVARY!








Separei para vocês algumas capas de edições brasileiras e internacionais:








SINOPSE: Para escapar à monotonia do casamento e da vida provinciana, a sonhadora Ema Bovary se perde em idealismos, amantes e dívidas. Ao narrar a decadência dessa mulher, e também da sociedade burguesa, Flaubert nos brinda com o romance moderno por excelência.







MADAME BOVARY tem algumas curiosidades que quero compartilhar com vocês antes de falar sobre a minha sensação ao lê-lo.


1- O livro lançado em 1857, escrito pelo francês Gustave Flaubert, foi processado pelo Poder Público francês, acusando Madame Bovary de ser um livro imoral. Flaubert foi inocentado e depois disso o livro acabou alcançando um sucesso ainda maior visto que todos queriam saber o que o livro tinha para ser processado.

2- Flaubert era exigente com sua escrita, ele buscava a palavra perfeita, o encaixe ideal das frases. Ele escrevia e reescrevia inúmeras vezes, tal fato fez com que ele levasse CINCO anos para concluí-lo.

3- Um dos pontos mais importantes de Madame Bovary é que Flaubert trouxe um novo gênero para literatura, fugindo do romantismo, ele passou a contar os fatos de maneira realista, retratando e criticando a sociedade de sua época.

4- Madame Bovary foi um livro inspirado em fatos reais que Flaubert adaptou para literatura, trazendo o peso de personagens verossímeis e finais realistas. Esse foi seu livro mais aclamado.


O QUE EU SENTI

A personagem da Madame Bovary, a Ema Bovary, foi a que mais me intrigou ao longo da leitura. Ema é uma mulher eternamente insatisfeita, ela é viciada em romances e imagina sua vida como nos livros, isso produz nela a sensação de que nada nunca é o suficiente, vejam o trecho abaixo:

"Apesar disso, não era feliz, nunca o fora. De onde vinha, pois, aquela insuficiência da vida, aquele apodrecimento instantâneo das coisas em que se apoiava?" pg 324

Esse pequeno trecho retrata o interior da Ema. Em como ela era uma mulher insatisfeita o tempo todo e com todos. Se algo a empolgava era por poucos momentos, logo ela encontrava defeitos e mais problemas, voltando ao estado inicial de melancolia. 

Pretendo falar pouco da trama em si, pois é um livro que se aproveita melhor lendo no escuro, como eu fiz. Mas Ema de casa com Carlos Bovary, um médico de uma pequena vila da França que ela conhece quando trata do seu pai, o Sr. Rouault, na época casado, Carlos apenas nutre um encantamento pela então Srta. Rouault, mas quando se torna um viúvo, rapidamente propõe casamento, e Ema o aceita.

Só que há uma diferença brutal entre os dois. Carlos é um tipo de homem acomodado, ele se sente feliz apenas por olhar para Ema, amando-a com tal paixão que beira à adoração. Ele se satisfaz com a vida pacata na vila, com seus pacientes e sua vida doméstica sem grandes luxos ou emoções. O pouco lhe basta. Exatamente o contrário da sua esposa Ema, que sonha com romances de livros, vida luxuosa em mansões e grandes bailes. E é exatamente após um baile ao qual o casal é convidado que Ema muda definitivamente sua perspectiva de vida, ela decide em seu íntimo que quer mais, então começa a traçar seu destino.

Dois homens surgem da vida de Ema (isso não é spoiler, está na sinopse), cada um deles representando um sonho de ideal que a Madame Bovary cultiva em seu íntimo e a partir de encontros e desencontros, Ema é levada ao seu limite, culminando em um fim surpreendentemente trágico.

Então eu fiquei o tempo todo me perguntando: "não está bom para você, Ema?". E nunca estava. Uma nota especial para filha de Ema com Carlos, a Berta, para mim foi uma das personagens mais judiadas da história, com uma mãe absorta em seus próprios anseios e um pais envolto pela adoração pela esposa. 

Como psicóloga não me privei de certa análise da psique da personagem e se fosse hoje em dia e ela aparecesse em meu consultório, eu provavelmente a diagnosticaria com Distimia. É um tipo leve de depressão que raramente é identificado, mas caracterizado por uma sensação constante de insatisfação e desânimo, na qual nada, nem ninguém consegue supri o vazio que a pessoa possui. 

Olha o que o psiquiatra Adriano Persone Prestes de Camargo (leia artigo completo) fala sobre pessoas com Distimia:

"É como se um vazio se esparramasse em toda à sua volta, e às vezes houvesse dentro deles uma espécie de buraco que não conseguem preencher com nada."

Isso me parece bem a cara da Ema. Uma mulher que poderia ter tudo, mas esse tudo não lhe bastava. É claro que isto não se trata de um diagnóstico preciso, mas uma sensação que tive no decorrer de todo o livro e que me fez querer ajudar Ema a seguir por outros caminhos, ao invés de julgá-la como imoral. 

É um livro intenso e cru, trata de costumes e na rotina da França, um clássico, que como todos os clássicos fazem você refletir sobre realidades que parecem tão distantes, mais ainda são comuns hoje, no século 21. Existem muitas Emas por aí, muitas mulheres preenchidas por vazios que não conseguem nomear, nem preencher. A Ema de Flaubert já teve o final dela, mas se você conhece alguma Ema ou até mesmo se identifica com ela, saiba que existe ajuda para você, vazios podem ser preenchidos. Fica a dica!

Pra quem leu o livro, o que acharam das minhas ideias? Concordam? Discordam?
Quem ainda não leu, fica a sugestão, leia e tire suas próprias conclusões, Madame Bovary é um livro que vale a pena do começo ao fim.

Até a próxima!


ColaborAutora Fê Friederick Jhones
Eu sou uma apaixonada por histórias e pessoas, minha primeira escolha então foi a Psicologia, as palavras sempre fazendo meu mundo ter mais sentido, palavra cantada, escrita, falada, eu amo qualquer tipo de arte. Sou uma boba que chora com dramas de amor, amo finais felizes e clichês românticos, gosto de torcer por personagens que só existem na minha imaginação e passo horas em mundos variados, criando-os ou conhecendo-os pela voz de outros. Escrevo porque preciso e não saberia viver sem isso, artigos, reflexões, frases, contos, poesias, romances, todos os meus pedaços que dou ao mundo. Sou mãe de uma lady peluda que se chama Belle e tenho um marido lindo chamado Deivid Jhones, de quem roubei o sobrenome. Nasci na terra do acarajé, mas moro na cidade do bolo de rolo. Prazer, eu sou a Fê!

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Beijos Fê Jhones

3 comentários:

  1. Oláá, tudo bem?
    Acho que fazia um tempo que não vinha aqui.. Mas sempre adoro as resenhas que encontro!! :)
    Gente, eu só tinha ouvido falar nesse livro, né.. Mas adorei, fiquei doida para ler! Clássicos nem sempre me agradam, mas esse parece tão bom, ainda mais depois de ler as curiosidades hehe Essas coisas me chamam a atenção!
    Beeijo

    http://lecaferouge.blogspot.com.br/

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    Respostas
    1. Oi Tamara, ficamos tão felizes de ver você por aqui <3
      Muito obrigada mesmo, os clássicos ultimamente andam esquecidos, pois sempre temos uma enxurrada de lançamentos todos os meses, mas muitos valem muito à pena,obrigada pelo seu comentário, se ler não esquece de vir dividir sua opinião.
      Beijos

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  2. Oi Fê!
    Amei ver essa nova coluna, ano que vem quero ler alguns clássicos também, mas eu vou ler mais puxado para o suspense/terror aahahahhaah.
    Mas to anotando suas dicas aqui!
    Beijocas!

    Giu

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