[Resenha Nacional] Dias Perfeitos - Rapahel Montes

Olá, gente!

Hoje vim contar de um dos melhores suspenses nacionais que li e que abriu minha lista de favoritos de 2017 com louvor. O nome do livro é “Dias Perfeitos”, do autor brasileiro Raphael Montes, autor que já é conhecido e consagrado internacionalmente, ou seja, mais um motivo para nos enchermos de orgulho!

Nós aqui do blog ficamos muito felizes ao vermos nomes da literatura contemporânea alçando voos cada vez mais altos. O livro Dias Perfeitos já foi traduzido para vários países e esse ano será adaptado para uma peça teatral. O autor acaba de lançar seu quarto livro, “Jantar Secreto”, na mesma linha suspense que promete chocar os leitores. Prometemos tentar trazer a resenha o quanto antes.

Vamos a resenha?


Dias Perfeitos - Raphael Montes
  ISBN-13: 9788535924015
ISBN-10: 8535924019
Ano: 2014 / Páginas: 280
Idioma: português
Editora: Companhia das Letras

Téo é um solitário estudante de medicina que divide seu tempo entre cuidar da mãe paraplégica e examinar cadáveres nas aulas de anatomia. Durante uma festa, ele conhece Clarice, uma jovem de espírito livre que sonha tornar-se roteirista de cinema. Ela está escrevendo um road movie sobre três amigas que viajam em busca de novas experiências. Obcecado por Clarice, Téo quer dissecar a rebeldia daquela menina. Começa, então, uma aproximação doentia que o leva a tomar uma atitude extrema. Passando por cenários oníricos, que incluem um chalé em Teresópolis e uma praia deserta em Ilha Grande, o casal estabelece uma rotina insólita, repleta de tortura psicológica e sordidez. O efeito é perturbador. Téo fala com calma, planeja os atos com frieza e justifica suas atitudes com uma lógica impecável. A capacidade do autor de explorar uma psique doentia é impressionante – e o mergulho psicológico não impede que o livro siga um ritmo eletrizante, repleto de surpresas, digno dos melhores thrillers da atualidade. Dias perfeitos é uma história de amor, sequestro e obsessão. Capaz de manter os personagens em tensão permanente e pródigo em diálogos afiados, Raphael Montes reafirma sua vocação para o suspense e se consolida como um grande talento da nova literatura nacional.





Raphael Montes 
Gêneros Policial | 
Nascimento: 22/09/1991 | 
Local: Brasil - Rio de Janeiro - Rio de Janeiro
Nasceu em 1990, no Rio de Janeiro. Advogado e escritor, publicou contos em diversas antologias de mistério, inclusive na Playboy e na prestigiada revista americana Ellery Queen Mystery Magazine. Suicidas (Saraiva), romance de estreia do autor, foi finalista do prêmio Benvirá de Literatura 2010, do prêmio Machado de Assis 2012 da Biblioteca Nacional e do prêmio São Paulo de Literatura 2013. 


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O livro conta a história do estudante de medicina Theodoro, um jovem “antissocial” que vive sozinho com sua mãe paraplégica. Já no início do livro o rapaz já se mostra com sérios problemas para se socializar com outras pessoas, quando vemos que a sua melhor amiga se chama Gertrudes, e não é nada mais nada menos do que o cadáver da aula de anatomia.
Respeitava Gertrudes acima de tudo. Apenas uma intelectual seria capaz de se desprender da bajulação de um enterro para pensar adiante, na formação de jovens médicos. Antes servir de luz à ciência do que ser devorada na escuridão, ela pensava, sem dúvida.

Um dia, cansada de ver Théo trancado dentro de casa, sua mãe o leva para uma festa. Mesmo contrariado ele vai, mas lá se sente deslocado e vai para um canto sozinho. Então, uma bela jovem o vê, se aproxima dele, tenta puxar papo e ser simpática. O nome dela é Clarice e entre conversas quase monossilábicas que ela tenta em vão ter com ele, a menina extrovertida conta um pouco sobre sua vida e seus projetos, inclusive sobre um roteiro no qual está trabalhando chamado “Dias Perfeitos. Théo, ao mesmo tempo em que repele qualquer contato social e humano, se sente curiosamente atraído pelo jeito da moça, nascendo, ali, sua obsessão sem limites por aquela jovem que não fazia ideia do quão ruim foi se aproximar educadamente daquele jovem estranho.

A partir daí, Théo passa a ter comportamento obsessivo para saber mais sobre a jovem e poder encontrá-la novamente. Um dia, depois de perseguir a moça pelas ruas, ele a encontra vulnerável e bêbada pela calçada e, mesmo não aprovando seu comportamento nada convencional, ele se sente cada vez mais atraído e tentado a ser uma espécie de "salvador". Então ele a leva para a casa dela. 

Théo se sente cada vez com mais esperanças ao conhecer sua mãe e ser apresentado pela própria Clarice como seu namorado. Ele pensa que foi o efeito da bebida, mas quando volta novamente na casa dela para “ver” como Clarice está e levar presentes para a jovem ela, meio que o coloca na parede para saber o porquê da súbita obsessão. Ele vai ficando inquieto e se sentindo cada vez mais acuado e, ao se declarar para Clarice e ser rejeitado, tem uma atitude impulsiva: ele a acerta na cabeça e a coloca na mala que a própria estava fazendo, pois estava de viagem para Teresópolis.


No domingo, você me ligou com aquele papo furado e descobriu onde eu estudava. Começou a me seguir e descobriu onde eu morava. Me seguiu até a Lapa ontem à noite. Se quer saber, agradeço por ter me ajudado. Mas não acha meio doentia essa perseguição?"

Um conjunto de atitudes impensadas, uma paixão obsessiva e doentia faz com que os próximos dias de Clarice se tornem seu inferno. Ele a leva sequestrada na viagem pelos destinos traçados pela própria jovem em seu roteiro "Dias Perfeitos". Mesmo amordaçada e amarrada, ele vai tentando conquistá-la através de muito jogo de terror psicológico e "demonstrando" como ela seria feliz com ele.


“Não me interessa o que você gosta ou não. Vai se foder, cara! Tentei ser legal, mas não dá! Se você tem problemas com mulheres, come uma puta, sei lá.”


Como escapar de uma mente doentia e psicótica, que vê como amor de redenção um sentimento de pura insanidade, tormento e fixação?
Sentou na beirada da cama, observando-a de perto, mas ainda a uma distância respeitosa. Não queria parecer doente ou maníaco. Com o tempo, ele ia provar a Clarice que ela estava errada.




Com uma narrativa viciante, inteligente e de arrepiar até os cabelos da orelha, Raphael nos faz entrar na mente perturbada e calculista do personagem Théo e nos faz sentir todo o desespero da jovem Clarice pela viagem alucinante que se torna as páginas de Dias perfeitos.
Jamais seria capaz de cometer abusos: faltava-lhe o instinto animal que os homens ganham ao nascer. Essa era apenas uma de suas qualidades. Se houvesse mais gente como ele, o mundo seria melhor.
O autor pegou um personagem aparentemente “comum” que poderia ser nosso conhecido e desnudou seus sentimentos. Então, vemos toda sua personalidade sendo desvendada aos poucos, como um leque sendo aberto em câmera lenta, mostrando, então, todos os seus defeitos humanos e assustadores.

O Personagem Théo é machista, não tem empatia com o próximo, é preconceituoso e põe seus conceitos como verdade absoluta, a ponto de achar que está fazendo um grande bem para a sua “amada”. Seus sentimentos são sempre impostos. Ele mente o tempo todo, manipula as pessoas e a verdade a seu favor, até que ele mesmo acaba acreditando em suas próprias mentiras. O livro é todo tecido no terror e suspense psicológico, fazendo o leitor viver o âmago do tom dramático e visceral da história.
Vestiu o arreio de boca com mordaça em Clarice. Deitou-a no colchonete, pois não queria que ela ficasse com o corpo dolorido. Empurrou-a para debaixo da cama, algemando seus tornozelos aos pés do móvel. Trocou o lençol e forrou a cama de modo que as algemas ficassem cobertas.
Os personagens são marcantes e intensos. A ambientação é muito bem feita, e o livro parece ter sido escrito com muito cuidado em todos os detalhes para que parecessem verossímeis e mantivessem o leitor preso, roendo as unhas até a última página. O final é totalmente imprevisível e chocante, o que, com certeza, pode dividir a opinião dos leitores. Achei anticlichê e genial a sacada do autor.
“Não gosto de te ver assim, ratinha.” Ele tomou as mãos dela. “Sei que tudo isso parece um pouco absurdo, mas você tem que entender. Não foram dias tão ruins, foram?”

Recomendo esse livro para todos os amantes de suspense, terror psicológico e thriller que tenham estômagos e corações fortes e que não tenham medo de finais surpreendentes e criativos.



Nota 5/5 e Favoritado (Maravilhoso) 



Então é isso. Já leram ou leriam?Deixem sua opinião. 
Até a próxima postagem, pessoal!
Beijos.





4 comentários:

  1. Nossaaa morria e não sabia que esse livro é de um autor Nacional. Gostei muito de saber. Tenho ele no meu kindle e confesso que vou dar uma chance para a leitura. Gostei da sua resenha e espero também gostar assim como você gostou do livro. Vou ler o meu logo.
    Bjss

    http://www.livrosemarshmallows.com/

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    1. Kelly esse livro é um thriller bem agoniante, eu amei a escrita do Raphael desde O Vilarejo e esse superou todas minhas expectativas, leia sim, mas o final é meio polêmico, vá com calma kkkkkk beijos.

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  2. Oi, Giu.

    Eu já sabia que esse livro abordava essa temática, mas não tinha lido uma resenha dele ainda. Adorei a sua e fiquei interessada na história, mesmo não sendo do meu gênero favorito.
    Bjs

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    1. Oi Tati, menina eu amo esse gênero o Raphael arrasou com esse livro, só que muita gente pode torcer nariz com final, eu achei muito imprevisível e assustador e adorei.
      Super recomendo.
      Beijão obrigada pela visita S2

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