[Resenha] Rua de pedra em sépia - Fabiano Jucá

Olá Clubenautas! A resenha de hoje é mais do que especial! Já faz um bom tempo que eu estou querendo resenhar esse livro e finalmente consegui o tempo necessário para comentar sobre ele da forma que ele merece. Rua de pedra em sépia (adoro esse título) é um livro que conheci no Wattpad, no ano de 2016, e é o primeiro romance escrito por Fabiano Jucá. Acredito que na época o autor estivesse desenvolvendo a trama e postando aos poucos na plataforma. Acompanhei alguns capítulos e depois não consegui concluir a leitura, voltando agora novamente a ler a obra, desta vez por completo.

Então vem comigo que a indicação vale à pena.



Sinopse: Quatro jovens curitibanos vivendo às margens da sociedade, entre os anos 80 e 90. Três deles por terem nascido no esgoto do mundo, o outro, de classe média, por se envolver com os demais. Drogas, amor livre, liberdade plena, prisão, sexo, hormônios, juventude, vida no limite. 

Rua de Pedra em Sépia é meu primeiro romance completo. Não é uma história de amor convencional. É a história de quatro jovens que vivem na Curitiba dos anos 80/90. Taco e Dingo fazem uma amizade insólita. Taco conhece o lado sombrio da vida. Criado sem os pais, num orfanato, vive uma vida sem regras, e acaba caindo nas drogas. Dingo, seu amigo, é cria da classe média, mas não se entende com o pai, que o considera um inútil, por ter sido muito doente quando criança. Joanita e Samia são jovens prostitutas. Amigas, porém muito diferentes entre si. Joanita procura viver a vida intensamente, em contato com a natureza e com seu eu mais profundo, enquanto Samia prefere manter os pés bem firmes no chão, planejando cada passo. Esses quatro personagens se reunirão a partir do Segundo Ato da história... acompanhe




RESENHA


Rua de pedra em sépia é um livro que se passa em Curitiba na década de 80 e 90, escrito em terceira pessoa, narrado por "narração onisciente*", às vezes vezes de forma neutra e outras vezes de forma seletiva. Isso é importante destacar, pois não é uma obra repleta de diálogos; na maior parte do livro a história nos é contada através do narrador (porém, conforme o livro vai avançando, surgem mais diálogos). E através desse narrador que somos apresentados à realidade da época e da cidade através dos jovens Taco, Dingo, Samia e Joanita.

"Dingo passou boa parte de sua infância e juventude recebendo esses sinais. A vida medíocre de aluno classe média de boas notas não o tornava exatamente feliz, mas o colocava em bela bolha de proteção. Era “feliz” em sua vidinha tranquila, apesar das cobranças e exasperações familiares".

 É uma história tão palpável, no sentido de ser muito real, que você vai se perguntar se eles realmente existiram (quem sabe, existiram?). Fabiano nos apresenta os personagens ainda crianças, as aventuras na escola, na rua, na casa dos amigos e a forma como eles foram crescendo e se construindo enquanto pessoas.

"Sonhava com a musa perdida. Não pensava em casamento ou convenções desse tipo, mas certamente esperava por alguém que o acompanhasse até o fim dos dias, em suas aventuras, loucuras e idiossincrasias."

Não é uma obra comum de amizade ou de amor convencional. Não! Rua de pedra em sépia é vida real: tem pais que não se dão bem com os filhos (tem filho problemático), tem abuso, drogas, tem prostituição (tem sexo), tem referências musicais da época e tem jovens buscando descobrir sua identidade "vivendo como se não houvesse um amanhã".

"Taco, livre, libertino, sem as amarras teóricas, vivia cada segundo como se fosse o último, pois qualquer segundo poderia ser mesmo o último, dado seu modo de vida pouco afeito às regras estabelecida".

A trama compreende a vida destes quatro jovens, que nos são apresentados desde o início da trama e que se encontram em certo momento, enquanto vamos os conhecendo cada vez melhor, da infância à vida adulta. Os personagens são carismáticos a ponto de torcermos e sofrermos junto com eles. Aliás, Fabiano soube muito bem descrever os sentimentos dos personagens, conseguindo por vezes trazer lágrimas ao meus olhos.

"A dor que ela sentiu foi na alma, longe de ser apenas física, que era suficientemente ruim também. A vida dela perdera o sentido naquele momento. O que restava de sentido, enfim."

O história é muito bem estruturada e acredito que foi pensada de uma forma a não entregar tudo de uma só vez ao leitor. Por isso, às vezes o autor apresenta partes da vida dos personagens de forma não sequencial, voltando também ao passado em alguns momentos. O livro também é repleto de reflexões e metáforas muito boas:

"Não adianta. Um corpo é um corpo. Um amor é um amor. Mesmo os loucos amam. Aliás, os loucos mais que os outros. Mais que os normais. Muito mais que os convencionais. Loucos não temem o amor, nem tampouco a felicidade. Loucos vivem loucamente, buscando sentido em sua loucura, enlouquecendo os sentidos".

Eu recomendo a leitura para todos que primam por qualidade e uma história completamente única!


*Narrador onisciente: É aquele que sabe de tudo o que se passa na trama, conhecem todos os aspectos da história e de seus personagens. Pode descrever sentimentos e pensamentos dos personagens ou coisas que acontecem em dois locais ao mesmo tempo.
Narrador onisciente neutro: Relata os fatos e descreve as personagens. Fala somente dos fatos indispensáveis para a compreensão da narrativa. Não influencia o leitor ao descrever um personagem (caráter, pensamentos).
Narrador onisciente seletivo: Narra os fatos sempre com a preocupação de relatar pensamentos, impressões e sentimentos de uma ou mais personagens, influenciando assim o leitor a se posicionar a favor ou contra eles.



Espero que tenham gostado! Grande beijo e até a próxima!

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Um comentário:

  1. Sensacional, encantado com a resenha, tão meticulosa e caprichada!!! Não esperava menos da Amanda! :) muito, muito grato, estava ansioso por esse texto!

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