Ana Maria Gonçalves
[Dica de leitura] "Um Defeito de Cor" - Ana Maria Gonçalves
Olá gente querida! ♥
Hoje, meu principal
objetivo de estar por aqui é o de dizer que TODOS vocês NÃO podem deixar
de ler “Um
Defeito de Cor”, de Ana Maria Gonçalves.
A princípio pensei em
fazer uma resenha sobre o livro, mas, sinceramente, não me achei apta para tal
façanha. Quando vocês lerem, vão entender o porquê disso. Primeiro, porque é um
livro (não se assustem e nem desanimem) com quase mil páginas, exatamente 947 páginas com espaçamento entre linhas simples
e, depois, porque é uma história tão densa, com tantos personagens e
acontecimentos que eu não soube em qual ponto me focar. Então, depois de ler o
livro e algumas entrevistas da autora, decidi comentar um pouco sobre ela,
sobre como o livro surgiu e tecer algumas considerações sobre o enredo.
Preparados? Então... vamos lá!
“Um Defeito de Cor” - Ana Maria
Gonçalves
A autora, Ana
Maria Gonçalves, é formada em Publicidade. É mineira e, há oito anos, sem
férias, estava trabalhando em uma agência publicitária em São Paulo. Passava por um período delicado em sua vida,
pois tinha acabado de se separar do marido e estava insatisfeita com sua
atividade profissional. Uma amiga a convidou para ajudá-la a pesquisar e
escrever um documentário sobre música latina em São Paulo. Certo dia estava
numa livraria para pegar material para a pesquisa desse documentário e, de uma
determinada estante, caiu em suas mãos um livro de Jorge Amado, “Bahia de Todos
os Santos—guia de ruas e mistérios”. No prólogo do livro o autor fazia um
convite ao leitor para que fosse conhecer a Bahia em sua totalidade. Ele se
propunha a mostrar não só as belezas, mas, também, as mazelas da sua Bahia
querida.
No prólogo ele também
comentava sobre a “Revolta dos Malês”, uma mobilização de escravos de origem
islâmica, ocorrida em Salvador, em 1835, que deflagrou oposição contra a
escravidão africana. A ideia dessa rebelião era separar os estado da Bahia do
Brasil, formar um Estado muçulmano independente, no qual os brancos seriam mortos, os mulatos escravizados e os negros
governariam esse Estado. Ela não só aceitou o convite de Jorge Amado,
mudando-se para a Bahia, como, também, se interessou em pesquisar sobre a
rebelião. Foi assim, mais ou menos neste contexto, que surgiu “Um defeito de
cor”. Tudo muito mágico, inusitado e
instigante, né, pessoal?
O título do livro faz
uma alusão a uma lei brasileira do período colonial, que dizia que os negros
para ocuparem posições de destaque na administração, na igreja e no exército,
teriam que escrever para o Imperador ou para o Rei, pedindo dispensa do seu defeito de cor.
“Em nós, até a cor é um defeito. Um imperdoável mal de nascença, o estigma de um crime." (Luís Gama)
O livro é um romance
histórico que conta a saga de Kehinde,
uma africana idosa, cega e próxima da morte e de sua
incansável viagem da África para o Brasil em busca do filho que fora vendido
pelo pai para quitar uma dívida de jogos. Ana Maria Gonçalves criou uma
história emocionante, marcada por mortes, estupros, violência e escravidão.
Nesse romance os fatos históricos fazem parte do dia a dia e da vida dos
personagens Acredito que o livro contenha em torno de 500 personagens que deixam o leitor em contato
com os diferentes pontos de vista de várias etnias e de vários modelos de
escravidão.
Foram mais de dois anos
de pesquisas nos arquivos na Bahia, principalmente, em jornais e revistas de
época. A autora quis humanizar a figura do escravo, normalmente visto como
mercadoria e, assim, ela foi acrescentando ao enredo as histórias dos
personagens encontrados nas pesquisas. A versão original do livro contava com 1400 páginas. A versão atual contém 947 páginas. A intenção da autora foi a de dar voz à mulher
negra, por isso o livro é narrado em primeira pessoa, por Kehinde. Ana Maria Gonçalves declara que em
suas pesquisas sobre a Revolta dos Malês, se encantou com a escrava Luiza
Mahin, suposta mãe de Luiz Gama, ficando subentendido que a autora se baseou na
história real de Luiz Gonzaga Pinto da Gama (Luiz Gama), poeta, jornalista,
advogado (sem diploma) e abolicionista, que seria o filho que Kehinde/Luiza
Mahin buscava. Bem, na verdade, kehinde é um personagem fictício, baseado na
história fiel de Luiza Mahin, uma das principais figuras da “Revolta dos Malês”
e mãe de Luiz Gama. A pesquisa do livro é bastante fiel, entretanto, a autora
se reservou ao direito de ficcionalizar sua própria versão da história na qual
o leitor
se vê em um texto onde não fica bem definido o limite entre a ficção e a
realidade das história dos personagens.
Independente de sabermos que
ficção e realidade se misturam, “Um Defeito de Cor” é um trabalho excepcional
pelo talento narrador/descritivo impregnado em kehinde, que ao descrever a
história dos seus quase cem anos de vida, deixa o leitor em contato com a
vergonhosa escravidão brasileira e africana, que submeteu seres humanos as
piores e indignas condições de trabalho e humanas, que perdurou licitamente por
centenas de anos e que ainda podemos sentir os resquícios de tal relação social
até os dias atuais.
“Eu era muito diferente do que imaginava, e durante alguns dias me achei feia, como a sinhá sempre dizia que todos os pretos eram, e evitei chegar perto da sinhazinha. Quando era inevitável, fazia o possível para deixá-la feia também, principalmente em relação aos penteados. Pegava em seus cabelos com as mãos sujas de banha ou de terra e inventava maneiras estranhas de prendê-los.”
“O sinhô José Carlos não ligava para essas coisas; aliás, ele não ligava para a filha, por não ter o dom do afeto e por considerá-la culpada pela morte da mãe. E assim foi até o dia em que comecei a me achar bonita também, pensando de um modo diferente e percebendo o quanto era parecida com a minha mãe. O espelho passou a ser diversão...”
“Às vezes, parece-me que nada é suficiente na vida, nem as coisas boas nem as coisas más, pelo menos não a ponto de me deter.”
Bem, pessoal, como eu disse no
início, o tamanho do livro não deve ser motivo de desistência ou dúvidas. É um
livro muito fácil de ler, pois é dividido em títulos e subtítulos que vão
conduzindo a trama, tornando a leitura extremamente incitante, além de ser uma
viagem fantástica pela história. São quase cem anos de vida, anos que contam a
história da escravidão, de fatos importantes da história do Brasil e da África,
narradas de maneira simples e eficiente com descrições detalhadas
dos ambientes, dos aspectos políticos, culturais, sociais e religiosos, bem
como as impressões e sentimentos da narradora. É como se você estivesse deitada em sua cama e sua mãe, tia ou avó, estivesse lhe contando uma fascinante, impressionante e irretocável história de vida. “Um
Defeito de Cor” é um livro imperdível de ler e está destinado aos adeptos de todos
os gêneros literários, principalmente, aos apreciadores de um bem idealizado,
construído e desenvolvido romance histórico. Na minha humilde opinião deveria
constar da lista das leituras obrigatórias e/ou recomendadas nas escolas.
Li, gostei demais e super-recomendo!
Beijos e até a próxima.
Créditos:
Texto: Vanda Costa
Diagramação: Vanda Costa
Informações sobre a obra e a autora: Obtidas na Internet
Imagens: Tiradas da Internet
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