[CrĂŽnicas da FĂȘ] Sobre o silĂȘncio
Sobre o silĂȘncio
Eu gosto da madrugada. Durmo tarde, entĂŁo muitas vezes acompanho o mundo adormecer ao meu redor, enquanto todo o barulho se reduz ao silĂȘncio confortĂĄvel de que lĂĄ fora o ritmo diminuiu. As pessoas se recolheram Ă s suas camas. Os carros estĂŁo estacionados. E a vida Ă© preenchida do mais puro silĂȘncio. Ah, como eu amo o silĂȘncio!
Eu sou psicĂłloga e eu faço terapia. EntĂŁo eu sou as duas coisas, terapeuta e paciente. Atendo e sou atendida. E durante uma sessĂŁo terapĂȘutica o psicĂłlogo ouve o paciente e faz o que nĂłs chamamos de intervençÔes, que vĂŁo se basear na abordagem que seguimos, para os leigos, a mais famosa Ă© a psicanĂĄlise, Freud e coisa e tal, mas eu posso garantir: sĂŁo muitas! SĂł que algo que todo psicĂłlogo precisa aprender quando ele começa a atender Ă© o valor do silĂȘncio no espaço terapĂȘutico. O silĂȘncio que, para os iniciantes, incomoda, mas que depois de conviver com ele por algumas sessĂ”es e em algumas situaçÔes, começa-se a perceber o valor que ele tem.
O silĂȘncio que vai produzir insight. O silĂȘncio que vai iniciar um choro represado. O silĂȘncio que vai acalmar o choro convulsivo. Ou apenas o silĂȘncio que vai chegar para finalizar alguma questĂŁo pendente. A grande questĂŁo Ă©: precisamos respeitar a importĂąncia do silĂȘncio.









