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Outubro Sangrento [Quem conta um conto aumenta um ponto] - Amanda Bonatti - O Baile

Olá Clubenautas, tudo bonito de lindo?
Hoje temos um conto da nossa querida Amanda Bonatti, na pegada dark para nosso "Especial Outubro Sangrento" esse é mais sobrenatural, então se você é um medroso pode ler que não tem sangue e vísceras ou demônios horrendos, é mais romântico sobrenatural, porque a Mandy é fofa e gente fofa não consegue ser malévola hahahahahah



O Baile -Amanda Bonatti
Diferente da maioria dos jovens de sua idade, mais calado, introspectivo, parecia não ter muitos amigos, andava sempre calmamente e não tinha namorada, ao menos nunca foi visto com uma.  Aliás, isso pareceu ganhar força em seus pensamentos depois que completou dezoito anos e foi para a faculdade, ali, poderia reescrever essa página de sua vida e esquecer a adolescência apagada pela timidez.
Seu pai, um respeitado médico que apesar da grande preocupação com a família, vivia sempre muito atarefado e mal aproveitava seu tempo em casa ou tirava férias, sua mãe, Dona Sofia, uma esposa dedicada que se casou cedo e nada mais fazia do que cuidar da casa, do marido e de Ricardo, único filho do casal.
Ah sim, o nome dele, Ricardo, rapaz bom e formoso, moreno, nem muito alto e nem baixo, olhos escuros, sorriso tímido, mas de uma beleza rara, enxergada por todos, menos por ele, que se julgava feio e desengonçado.
Nunca deu nenhum tipo de trabalho para seus pais, sempre fora preocupado com os estudos, uma criança saudável, que cresceu e chegou à juventude em volta da família. A infância e adolescência passaram tão rápido que quando sua mãe viu, ele já era um rapaz feito, e estava indo para a faculdade.
Foi perto da hora do almoço, enquanto esperava a criada servir a mesa, sua mãe puxou o assunto: —
—Ricardo, quando começa as aulas na Faculdade?
—Acho que na próxima semana...
—Já? Você não parece muito entusiasmado! O que foi meu filho? Há dias que o vejo pensativo... Seria a influência de seu pai na sua escolha pela Medicina? Você não está contente não é mesmo? Gostaria de Advogar? Ou o que?
—Não Senhora, acredito que meu pai tenha razão, é uma boa escolha, estou apenas ansioso, eu acho, deve ser isso!
—Não quero que se sinta forçado, essa é uma escolha muito pessoal, só queremos o seu bem...

Outubro Sangrento [Quem conta um conto aumenta um ponto] O voo negro - Amanda Bonatti

Opa Clubenautas, tudo bom?
Quem nunca ouviu aquele velho ditado popular que diz “quem conta um conto aumenta um ponto”? Seu significado é bastante simples, quer dizer que quem conta uma história que ouviu de outrem, sempre aumentará alguma coisa. E é mais ou menos assim que acontece com as histórias de lendas urbanas, aquelas contadas por nossos avós, repassadas por várias gerações e onde cada um teve a sua própria maneira de contar. O projeto "Quem conta um conto aumenta um ponto" vai te contar 1 conto por semana .... (continuar)

O voo Negro
1813
Mais Gritos ecoaram pelo casarão... Amy fazia força, empurrando o mais que podia, apertando os dentes e os lábios a cada vez que a dor aumentava.  Seu corpo nu era revelado pelas mornas lamparinas à beira da cama, onde lençóis branquíssimos já colavam às suas costas suadas.

— Tirem esses Demônios daqui, saiam!!! — Gritava, contorcendo-se.
Do outro lado da porta Augusto ouvia tudo sem entender. Assustado com os gritos que persistiam decidiu que entraria no quarto para ver a esposa, que estava dando a luz ao primeiro filho do casal.
Caminhou até a porta e percebeu que alguém a segurava evitando sua entrada.
— Deixe-me entrar! Por que tantos gritos?
— S.r. Augusto, acho que não deveria... por favor.
Augusto forçou a porta, ignorando o pedido da Freira, que acompanhava o parto de Amy, mas parou tão logo a porta abriu por completo.
Sombras escuras sobrevoavam o quarto e uma delas pairava sob o corpo da jovem, enegrecendo sua pele branca. Tão logo Augusto entrou, as sombras congelaram subitamente, sentindo a sua presença. Na parede formou-se uma grande imagem que parecia ser um rosto retorcido e diabólico.
Ficou paralisado diante do que presenciava, sentia todo seu corpo frio e trêmulo. Ouviram então um choro estridente de bebê.
As sombras voltaram a dançar agitadas nas paredes do quarto depois uniram-se e desceram sobre o corpo da mãe e filha que repousavam sobre a cama e os lençóis, desta vez, sujos de sangue.
— Amy? — Chamou pela esposa. — Amy!
Sua esposa estava morta. Sem dizer uma palavra, sem expressar qualquer tristeza, Augusto saiu do quarto e sentou na poltrona da sala. Em poucos minutos a freira trazia a criança enrolada em um tecido amarelo, bordado à fios de seda
— É uma menina S.r. Chermont, quer segurar a sua filha?
Augusto ergueu os olhos frios e fundos na direção da criança e em seguida assentiu com cabeça. Desajeitado segurou o bebê, que tinha a pele branquíssima da mãe, mas apresentava olhos tão negros que mal se enxergava a íris.
— O bebê não deveria ainda estar com os olhos fechados? — Perguntou à Freira, estranhando que um recém nascido tivesse olhos tão abertos e curiosos.