[ColaborAutora] Contos da Fê - Amar não basta
Olá Clubenautas, depois do mega sucesso do primeiro conto da Fê nossa ColaborAutora linda e romântica, temos outro presentão...
Outro conto lindo escrito com todo amor do mundo, esse está repleto de reflexão, drama e aprendizagens.... Venha saber porque só amar não basta!
Let´s go! Boa leitura!!!
Amar Não basta
Abriu sites de notícias, verificou diversas vezes seus e-mails, pesquisou fofocas de celebridades. Pelo menos só duas separações aquela semana, mas cinco novos casais. É, pelo visto a angústia do amor ideal não era apenas dela, pobre mortal.
Depois de muitos cliques viu-se digitando “histórias de amor”. Inúmeros sites e blogs pularam na tela e ela teve até medo de clicar. Depois de algumas tentativas acabou achando um blog em que várias histórias de amor eram contadas. Ela se pegou lendo uma por uma, não via o tempo passar, não sentia a coluna doer. De repente estava chorando. Fazia tempo que não chorava e nem se lembrava exatamente quando havia sido a última vez.
Quando leu a última história, tudo pareceu se inquietar ainda mais dentro dela. Eram histórias de todos os tipos, com finais felizes, tristes. Cheias de paixão e amor. E ela se perguntava incessantemente: amar não basta? O amor deveria garantir um final feliz, era isso que ele devia fazer. Mas parecia impossível um final pleno quando o amor está no meio. Será que ele só complica tudo?
Desligou o computador e ficou diante da tela preta. As lágrimas já tinham parado, deixando-a com uma angústia crescente. Onde tudo tinha mudado? Ela se lembrava de todos os momentos bons. Os olhares que os dois trocavam durante o café da manhã. O sexo enlouquecido no meio da noite quando acordavam só para se beijarem. Os encontros furtivos durante o dia corrido de trabalho. O final de semana de chuva debaixo das cobertas falando besteiras. As piadas que só eles entendiam. Parecia outra vida.
Agora não existiam olhares compartilhados, quando se olhavam era com raiva e indignação. As palavras que trocavam eram ferinas. Eram tantas brigas que ao final não era possível discernir o motivo inicial. Só que ela não tinha dúvidas sobre o quanto o amava. Ele era seu marido, capaz de preencher de paz seu mundo interno. Os momentos em que estavam bem, eram os únicos em que ela se sentia plena. Por que esses momentos não podiam durar para sempre?
Continuou imóvel diante do computador. A tela preta, o coração pesado, a ansiedade sufocando. O que ela podia fazer para mudar tudo aquilo? Não sabia por onde começar. Quem estava errado? Sentiu-se exausta. Seu corpo e sua mente não suportavam mais tanto suplício.
Voltou para cama e tentou dormir. Felizmente o sono a presenteou e mesmo sem o abraço dele, ela dormiu. Quando abriu os olhos a cama já estava vazia e novamente um frio percorreu sua espinha. Ele não havia nem lhe dado um beijo, nenhum bilhete. Nada que a fizesse aliviar o peso.
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